O Grupo de Estudos da Democracia - GED, criado em agosto de 2003, é um grupo de caráter interdisciplinar e interinstitucional. Reúne professores e alunos dos cursos de Filosofia, Ciências Sociais, História e Relações Internacionais, da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Católica de Goiás e da Universidade Federal de Mato Grosso. Desde a sua constituição em 2003, o grupo vem desenvolvendo suas atividades em torno do Projeto: Por que defender a democracia? .

    Pensar a democracia é uma tarefa crucial para todos aqueles que compreendem o Estado democrático como o único capaz de proteger a liberdade e a igualdade dos homens, fundamentado no pluralismo e no esforço incessante de busca do equilíbrio entre a igualdade de condições e a soberania popular. A igualdade de condições estende a todos os homens o direito de pensar, julgar e agir por si mesmos, determinando, no plano político, a possibilidade de uma multiplicidade de posições.

    Em um Estado democrático bem constituído, o caráter dinâmico e plural da sociedade transparece nas leis, que recebem a adesão e a obediência dos cidadãos, não apenas porque eles reconhecem nelas a expressão de suas vontades, mas também porque sabem que podem mudá-las. A ação legislativa, como processo de criação das leis do Estado, sendo uma prerrogativa do cidadão (que pode exercê-la diretamente ou por meio de representantes) nada mais é senão a expressão política da razão e da vontade de homens que desfrutam de uma condição igualitária, na qual nada autoriza a subordinação de uns aos outros.

    Assim, ainda que o respeito às leis esteja na base do Estado democrático, menos do que a tranqüila regularidade das leis, é a existência de um espaço público aberto à manifestação da pluralidade, das opiniões, das contrariedades, que caracteriza a democracia. Nada assegura a priori que a democracia seja aquilo que ela deveria ser. A sorte não está dada, o destino não está traçado. O permanente debate público, sem que ninguém (nenhum homem, nenhuma classe, nenhuma maioria) possa solucionar, irrevogavelmente, a questão, evidencia a impossibilidade da democracia de operar com verdades inquestionáveis. Toda certeza possível é fruto de um acordo provisório, construído pelo esforço do diálogo e do entendimento entre os homens. Inúmeros são os problemas que podem acometer o Estado democrático, em razão de sua própria estrutura interna ou em razão de demandas exteriores a ele que se impõem como necessárias e, portanto, refratárias ao debate. Qualquer defesa da democracia deve, em primeiro lugar, discernir os problemas para, então, bem dimensionar as possibilidades. É no sentido de contribuir para a análise de dificuldades, limites e possibilidades do Estado democrático que constituímos o grupo e propusemo-nos a desenvolver o projeto: Por que defender a democracia?

    A proposta do grupo, em suma, é “pensar a democracia para agir democraticamente”. O exercício de pensar e de agir pode nos orientar em direção à maioridade democrática, cuja conquista é tanto mais alcançável quanto mais se praticar a autonomia de pensamentos e condutas. Democracia “é partilha do poder”. É nesse sentido que, parar para pensar a ação política democrática em nosso tempo, significa confrontar as diferentes visões de política, de poder, de cidadania e de sociedade e enfrentar as questões em disputa e em jogo na perspectiva de definir o que é uma política democrática, porque uma coisa é certa: o modo do nosso relacionamento com a coisa política, o modo como definimos o exercício da cidadania política estão intimamente ligados ao tipo de sociedade e de comunidade política que queremos construir e à compreensão de democracia que temos e queremos partilhar.